segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Produção exponencial de mel – Lei de Farrar



Ainda hoje em dia há quem defenda que se deve utilizar grade excluidora na produção de mel. No entanto, a não ser em casos muito específicos, o uso da grelha é totalmente dispensável e desejável. Estarmos a restringir a área de postura da rainha é estarmos a desperdiçar um maior potencial de colheita de mel ou até de outros produtos da colmeia como o pólen ou própolis.

Para quem não está familiarizado com a forma como uma colónia de abelhas trabalha proponho que dê uma vista de olhos numa lei matemática descoberta na primeira metade do século passado – a lei de Ferrar

O que é a lei de Farrar


Farrar é o sobrenome do entomologista e apicultor Clarence Farrar que estudou o comportamento das abelhas no intuito de tentar perceber de que forma o número total de abelhas influenciava a produção de mel entre outras coisas. As suas descobertas são hoje um conhecimento básico de muitos apicultores. Costuma-se dizer que uma colmeia forte produz mais do que 3 ou 4 colmeias fracas. Quando dizemos isso, estamos fazendo alusão a lei de Farrar pois foi ele nas suas conclusões que demonstrou que uma colmeia de 60 mil abelhas produz  1,54 vezes mais do que quatro de 15 mil abelhas.
 Farrar também verificou que uma colmeia com uma população de 2000 abelhas, 20% delas são campeiras. Quando a população é de 5000 abelhas a percentagem de campeiras já é 25%. Se o número total de abelhas for 60.000 a percentagem de campeiras já será de 65% o que se traduzirá num maior rácio de produção de mel por abelha.
Número total de abelhas versus número de campeiras.

Assim, o aumento de abelhas na colónia aumenta a produção de forma exponencional e não linear como se poderia pensar.
Mais do isso a descoberta de Farrar também encontrou um paralelo entre o peso total de abelhas e o rendimento destas em mel, ou seja, Farrar descobriu que 1 kg de abelhas (cerca de 10000 abelhas) tem capacidade de produzir 1 kg de mel num ano. Mas se forem 2 kg de abelhas essa produção já será de 4 kg de mel/ano. A formula é simples, basta usar sempre o peso das abelhas ao quadrado (elevado a 2). Portanto, 6 kg de abelhas (aproximadamente 60 mil abelhas) a capacidade de produção de mel será de 36 kg (62 ou 6x6= 36)

Tabela representativa da lei de Farrar


 

Que ilações podemos tirar 

 

Conhecer esta regra deve fazer o apicultor reconhecer que quanto mais prolifera for uma rainha, mais capacidade terá essa colónia de produzir mel. Dai que restringir a postura de uma rainha com uma grelha excluidora é não utilizar todo o potencial de uma colónia. Este método arcaico não se justifica. Em minha opinião somente em casos muito específicos como criação de rainhas entre outras coisas é que o uso de tela é justificável. Sempre que uma rainha suba às alças para fazer postura, nada melhor que acrescentar mais alças ou simplesmente reverter a alça com o ninho no caso deste ter espaço para postura (não esteja bloqueado ou cheio de criação)

 Boa api


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Aquecimento e ventilação das colmeias.



Um artigo num blog em inglês chamou-me a atenção por ser um assunto que sempre me intrigou - devem as colmeias ser ventiladas ou não? E se sim, em que medida? Não sendo eu um expert em inglês, fiz uma tradução do artigo podendo este conter alguns erros que peço desde já desculpa. Nas referencias às colmeias obviamente foram utilizadas colmeias com modelos locais (do Reino Unido).


O Artigo original em inglês encontra-se em /https://oxnatbees.wordpress.com/2015/01/25/warm-hives/

"Recentemente fui a uma palestra brilhante organizado pela OBKA dada por Derek & Elaine Mitchell, que têm feito alguma pesquisa rigorosa sobre o isolamento das colmeias e os seus efeitos. Eles apresentaram os seus resultados para uma publicação no Journal of Apicural Research. Aqui estão alguns pontos-chave que marquei:


P: Porque é que muitas fontes dizem que colmeias precisam de muita ventilação ao passo que outras referem que o calor necessário à sobrevivência duma colonia depende de ventilação mínima?


R: Grande parte das pesquisas foram feitas por altura da 2 ª Guerra Mundial, por exemplo, houve um livro-chave publicado em 1947, e naqueles dias a madeira era escassa e eles não tinham acesso a isoladores modernos como poliestireno. As colmeias eram de paredes finas e frias. Nessas condições, para evitar mofo húmido seria necessária muita ventilação! Mas nos dias de hoje, podemos fazer colmeias muito mais quentes, que imitam as árvores ocas onde as abelhas evoluíram, e, neste caso, alta umidade é melhor (alta umidade ajuda as larvas e ovos a sobreviver e dificulta o desenvolvimento da varroa) e não há paredes frias onde a humidade possa condensar e promover o crescimento de fungos. Para uma colmeia bem isolada, a ventilação é indesejável. Para além da existência de alta humidade decorrente de colmeias bem fechados, as altas temperaturas impedem reprodução da varroa, ajudam a suprimir a nosemose e cria de giz (ascosfariose), promove o comportamento higiénico (que também pode ajudar no controlo da varroa). No compito geral, melhor isolamento térmico reduz a mortalidade precoce – criação resfriada pode não viver por muito tempo, mesmo que eclodam posteriormente as abelhas adultas.

Curiosamente, embora não se descrevendo como um apicultor naturalista, Elaine Mitchell parou os tratamentos à varroa. Suas super-isoladas colmeias Nacionais, que usam arames e fundação, continuam a ter alguma varroa, mas nunca em número alto o suficiente para prejudicar as colônias.


P. As abelhas não usam mais energia quando estão ativas? Colônias que são muito bem isolados não parecem se agrupar no inverno – não irão elas usar as suas reservas muito rapidamente?

R. Não, elas não usam mais energia. Este é um equívoco baseado em experimentos sobre a taxa metabólica, onde foram realizadas em abelhas no ar a temperaturas controladas. Se elas podem aquecer a colmeia para um ponto confortável, elas não precisam de muita energia para se manterem vivas - a chave é fornecer um ambiente que pode aquecer a um custo mínimo. Uma cavidade bem isolada, em outras palavras.



P. Que tipo de colmeia tem o melhor isolamento?


R. Os palestrantes fizeram alguns testes intensivos (2,3 milhões de medições!) Em 8 tipos de colmeia (12 colmeias no total). Para uma entrada de 20 watts - o que equivale a queima de 20 colheres de chá de mel por dia - eles viram os seguintes aumentos de temperatura (houve uma disseminação de resultados, esta é a minha estimativa do eixo dos gráficos por eles exibidos) -
(Paredes espessas 6 polegadas) Cavidade natural em árvore  - 60 graus C
Colmeia Skep , selada com esterco de vaca - 22 C
Colmeia em Poliestireno (vários tipos) - 22 C
Colmeia Warre, paredes pouco mais de 1 polegada de espessura, 4 polegadas de serragem grossa no topo - 16 C
Colmeia Top Bar queniana com barras de espessura superior, diretamente sob um telhado plano - 14 C
Madeira Nacional - 7 C a 10 C

Eles não têm acesso a colmeias WBC (a dupla parede na colmeia Nacional) ou à Langstroth de madeira (a equivalente americana da colmeia Nacional). As colmeias de poliestireno foram: 4 Nacionais, 1 Langstroth, 1 Núcleo, e um poli 14 × 12.



Outros pontos-chave

Colônias usam muito mais energia para reunir e evaporar néctar, na Primavera e no Verão, do que para sobreviver durante o inverno. A evaporação funciona muito melhor em altas temperaturas. Então pode-se concluir que o isolamento é mais importante num clima quente do que frio! È a fazer mel que elas usam energia intensiva, não para sobreviver ao inverno. Um agricultor do Reino Unido tem 1.000 colmeias em madeira e 1.000 colmeias de poliestireno. Ele faz mais mel de suas colmeias poli e está mudando as outras o mais rápido possível.
Uma razão das colmeias skeps serem tão eficiente é que elas se ajustam à forma do aglomerado bem - não há nenhum volume morto ao calor, e têm uma boa relação de área de superfície para volume.


Derek & Elaine vão apresentar esta palestra novamente na Convenção da Primavera BBKA."